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4 de agosto de 2010

Pois bem! Eu também tenho dívidas a cobrar

Autor: Guaicaipuro Cautémoc

Eu, índio Guaicaipuro Cautémoc, descendente dos que povoaram a américa há 40 mil anos, vim aqui encontrar os que nos encontraram há apenas 500 anos.
O irmão advogado europeu me explica que aqui toda dívida deve ser paga, ainda que para isso se tenha que vender seres humanos ou países inteiros.
Pois bem! Eu também tenho dívidas a cobrar. Consta no arquivo das índias ocidentais que entre os anos de 1503 e 1660, chegaram à europa 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata vindos da minha terra!... Teria sido um saque? Não acredito. Seria pensar que os irmãos cristãos faltaram a seu sétimo mandamento.
Genocídio?... Não. Eu jamais pensaria que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue de seu irmão.
Espoliação?... Seria o mesmo que dizer que o capitalismo deslanchou graças à inundação da Europa pelos metais preciosos arrancados de minha terra!
Vamos considerar que esse ouro e essa prata foram o primeiro de muitos empréstimos amigáveis que fizemos à Europa. Achar que não foi isso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que me daria o direito de exigir a devolução dos metais e a cobrar indenização por danos e perdas.
Prefiro crer que nós, índios, fizemos um empréstimo a vocês, europeus.
Ao comemorar o quinto centenário desse empréstimo, nos perguntamos se vocês usaram racional e responsavelmente os fundos que lhes adiantamos.
Lamentamos dizer que não.
Vocês delapidaram esse dinheiro em armadas invencíveis, terceiros Reichs e outras formas de extermínio mútuo e acabaram ocupados pelas tropas da OTAN.
Vocês foram incapazes de acabar com o capital e deixar de depender das matérias primas e da energia barata que arrancam do terceiro mundo.
Esse quadro deplorável corrobora a afirmação de Milton Friedmann, segundo o qual uma economia não pode depender de subsídios.
Por isso, meus senhores da Europa, eu, Guaicaipuro Cautémoc, me sinto obrigado a cobrar o empréstimo que tão generosamente lhes concedemos há 500 anos. E os juros, e para seu próprio bem.
Não, não vamos cobrar de vocês as taxas de 20 a 30 por cento de juros que vocês impõem ao terceiro mundo.
Queremos apenas a devolução dos metais preciosos, mais 10 por cento sobre 500 anos.
Lamento dizer, mas a dívida européia para conosco, índios, pesa mais que o planeta Terra!... E vejam que calculamos isso em ouro e prata. Não consideramos o sangue derramado de nossos ancestrais!
Sei que vocês não têm esse dinheiro, porque não souberam gerar riquezas com nosso generoso empréstimo.
Mas há sempre uma saída: entreguem-nos a europa inteira, como primeira prestação de sua dívida histórica.

Sobre o autor:
Guaicaipuro Cautémoc é um líder indígena mexicano que ficou famoso com esse discurso durante uma reunião dos chefes de Estado da União Européia.

Chupado daqui via @lodolla

6 de dezembro de 2009

Voz ativa e passiva: uma separação entre homem e mundo.


Lendo a transcendental tese de livre docência do matemático-filósofo-filólogo-letrista-clássico Mário Bruno Sproviero, que traduz e comenta os poemas de Laozi (o "fundador" do Taoísmo) passando por Hegel, Heidegger, Aristóteles etc, encontrei este trecho que desejo compartilhar com todos. O excerto busca as raízes das vozes verbais na história da relação homem x mundo, ou seja, mais um pouco do relativismo lingüístico do último post:
"Schöfer, num interessante livro sobre o pensamento mítico35, apresenta a análise da voz média nos verbos indo-europeus como uma chave interpretativa do pensamento mítico. Em nosso estágio, só temos a voz ativa e passiva sintéticas. Num estágio anterior tínhamos a voz ativa, a média e a passiva. Num estágio ainda anterior só tínhamos a voz ativa e a média. até aqui o material lingüístico permite constatar. Então Schöfer estabelece a hipótese que a forma inicial de expressão seria a voz média. Esta corresponderia ao estágio em que o homem não se distingue do mundo; a ausência da voz média, em nossa época, corresponde ao estágio em que a separação é total. Não temos então, segundo Schöfer, mais a possibilidade de exprimir a relação homem mundo. E o desaparecimento da voz média dá-se entre 500 e 400 a.C., justamente na época axial."

O conceito de "época axial" é de Jaspers34 e abarca o período entre 800 e 200 a.C., quando surge a escrita, a história, o pensamento abstrato adquire expressão e realização técnica. Quando as sociedades se urbanizam e se tornam mais complexas.

Laozi (pt) (en)

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35 WOLFGANG Von SCHÖFER - Was geht uns Nach an?. München/Basel, Ernst Reinhardt Verlag, 1968.
34 C. JASPERS - Vom Ursprung und Ziel der Geschichte. München, RPiper & Co Verlag.

SPROVIERO, M. B. . Laozi e a Reversão do Reino do Homem, 1996 (Tese de Livre-Docência) página 115.

Mais links ainda:
Sobre voz média (es) (fr)
YinYang (en)

11 de agosto de 2009

trecho de um texto escrito por alguém que vive na velhice da humanidade

"(...) me lembro sem precisar fazer tanto esforço assim, de uma coisa a qual chamavam "ponto de ônibus". Ponto é ponto mesmo e ônibus era como se fosse um enorme carro que tivesse muitos lugares para as pessoas sentarem. Pagava-se pra entrar neste carro que passava sempre pelos mesmos lugares (esses lugares eram os pontos).
Era como se você estivesse andando pela rua e de repente, ao dobrar uma esquina, encontrasse, em uma calçada, um aglomerado de pessoas com a mesma expressão no rosto e olhando todos na mesma direção. Assim era o ponto de ônibus.
Incrivelmente, não perdiam a paciência com a fastidiosa espera - ou pelo menos, pareciam manter-se controlados. Ficavam ali, parados, esperando a vida passar junto com o ônibus. "

[UPDATE] vou usar esta tirinha do heneh para ilustrar este trecho

27 de junho de 2009

Iminentia finis conuiuium cotidianum cum socii

Bateu hein...
Não vou nem falar nada, deixo o Tim falar por mim. A playlist é do Tomaz.


gostava tanto de você

tim maia

Composição: Édson Trindade

Não sei porque você se foi
Quantas saudades eu senti
E de tristezas vou viver
E aquele adeus não pude dar...
Você marcou na minha vida
Viveu, morreu
Na minha história
Chego a ter medo do futuro
E da solidão
Que em minha porta bate...
E eu!
Gostava tanto de você
Gostava tanto de você...
Eu corro, fujo desta sombra
Em sonho vejo este passado
E na parede do meu quarto
Ainda está o seu retrato
Não quero ver prá não lembrar
Pensei até em me mudar
Lugar qualquer que não exista
O pensamento em você...
Não sei porque você se foi
Quantas saudades eu senti
E de tristezas vou viver
E aquele adeus não pude dar...
Você marcou em minha vida
Viveu, morreu
Na minha história
Chego a ter medo do futuro
E da solidão
Que em minha porta bate...
E eu!
Gostava tanto de você
Gostava tanto de você...
Eu corro, fujo desta sombra
Em sonho vejo este passado
E na parede do meu quarto
Ainda está o seu retrato
Não quero ver prá não lembrar
Pensei até em me mudar
Lugar qualquer que não exista
O pensamento em você...
E eu!
Gostava tanto de você
Gostava tanto de você...


não quero dinheiro

tim maia

Composição: Tim Maia

Vou pedir prá você voltar
Vou pedir prá você ficar
Eu te amo!
Eu te quero bem...

Vou pedir prá você gostar
Vou pedir prá você me amar
Eu te amo!
Eu te adoro, meu amor!...

A semana inteira
Fiquei esperando
Prá te ver sorrindo
Prá te ver cantando
Quando a gente ama
Não pensa em dinheiro
Só se quer amar
Se quer amar
Se quer amar
De jeito maneira
Não quero dinheiro
Quero amor sincero
Isto é que eu espero
Grito ao mundo inteiro
Não quero dinheiro
Eu só quero amar!...
Te espero para ver
Se você vem
Não te troco nesta vida
Por ninguém
Porque eu te amo!
Eu te quero bem...
Acontece que na vida
A gente tem
Que ser feliz
Por ser amado por alguém
Porque eu te amo
Eu te adoro, meu amor!...



15 de maio de 2009

Viagens que só farei pela internet nº0 ou Refletindo sobre a internet de ontem e de hoje

Copiando do André a idéia já bastante difundida de postar devaneios (afinal o que é um blog senão uma coleção de devaneios publicados?) resolvi escrever um post sobre minhas "Viagens que só farei pela internet". Mas primeiramente, vejamos um conceito básico para o entendimento deste post.



a velha moda de abarrotar a página com gifs animados
"Agora você já pode viajar pelo computador"




Me lembro que em meados dos anos 90, quando eu era uma tenra criança e a internet* era ainda um tenro bebê recém-nascido, havia um comercial de televisão de não-sei-qual-produto que argumentava que "agora, você já pode viajar pelo computador" e o personagem do comercial acessava a internet e mostrava fotografias de praias montanhas e aquilo era muito misterioso e sensacional para todos.
Nesta época eu sentia que a mídia em geral (inclusive nos jornais e nas novelas) estava vendendo a idéia de que isso era possível e então muitos mitos e expectativas quanto a internet começaram a surgir (Para ter uma idéia mais ou menos de como é isso que eu estou falando imagine um jornal de televisão hoje em dia falando sobre twitter, ou uma reportagem há uns cinco anos atrás falando sobre orkut). Por exemplo, na época, falava-se em pessoas que se casaram pela internet, avisava-se sobre os perigos de marcar um encontro com alguém que se conheceu pela net, temia-se o bug do milênio, etc... Era um tempo em que nem se imaginava o fenômeno comunicativo que dispomos hoje (blogs como reinvenção e descentralização do jornalismo, orkut e afins pra juntar pessoas de interesses comuns e achar antigos amigos antes dados como perdidos no tempo, as mensagens instantâneas que fazem os profissionais em letras repensar a questão do letramento e os lingüistas repensarem a questão da escrita como representação da fala, os nossos e-mails de + de 1GB de capacidade e os grupos de e-mail que vieram depois, a wikipédia e todos seus afiliados projetos wiki-colaborativos em que se contrói um grande projeto em conjunto com uma porrada de gente ajudando, o Youtube, o Google Earth, etc... UFA!), quando ingenuamente pensavam que ver fotinho de praia era "viajar" através do computador!
Procurei algum vídeo da época (+/- 1996) que sustentasse minha argumentação - não encontrei. Porém, para minha surpresa, achei um vídeo de um comercial atual que demonstra que essa idéia existe até hoje:




No próximo post, então, faremos uma viagem, só pela internet, já que é de graça mesmo né?
"Mais há o que dizer, mas iſto baſta."
Evandro Torto

*internet, como todos sabem nasceu na década de 60. Me refiro à exploração comercial e pessoal da internet no contexto do Brasil, quando da criação de 'grandes' provedores como UOL, Terra, desconsiderando tudo que veio antes, como BBS etc... Alguém lembra do Mandic? E do UOL? Cadê? Deliciem-se com esse site: http://www.archive.org/