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21 de agosto de 2009

Localismo e Psicanálise

γνῶθι σεαυτόν

Existe uma teoria em lingüística funcional (corrente de estudos lingüística iniciada láaáá atrás por Jakobson [1] [2]) que se chama hipótese localista. Trata-se de dizer que as palavras que falamos eram primordialmente, "no início" referentes de um mundo local, físico- isto é: etiquetas, as palavras serviam para rotular um mundo palpável - e a partir daí passaram para abstrações por uma metáfora que dizia respeito ao tempo, e em seguida metáforas cada vez mais abstratas, sendo o terceiro nível abstracional identificável a "noção". Todas essas idéias vêm de Heine et alii (1991). O exemplo que li, referia-se à preposições. Segundo estes estudiosos funcionalistas, a preposição (super prototípica diga-se de passagem) EM pode ter o sentido de "localização no espaço" como na frase: O livro está na mesa; o sentido de "localização no tempo": Em fevereiro estarei lá; e o sentido "localização abstrata, ou noção": Em verdade vos digo. Para estes estudiosos, há uma relação hierárquica de abstração entre esses três sentidos. Melhor dizendo, começando pelo menos abstrato, há graus de abstração cada vez maiores: Localização física no espaço, depois Localização no tempo e por último uma localização abstrata.
Resumindo, citando Heine et alii (1991): "organizamos o espaço através da língua e (...) por um processo metafórico falamos do tempo com as mesmas categorias do espaço" e "podemos visualizar as coisas no espaço à nossa volta, mas o tempo não".
Se as palavras forem espacialmente motivadas, seria nossa personalidade, psique (me desculpem, eu não entendo nada de psicologia e afins) também fisicamente motivadas? Quero dizer: Será que eu sou desse jeito devido a uma característica física minha, por exemplo ser alto ou baixo, magro ou gordo, etc ?

Imagem retirada daqui