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23 de julho de 2010

É tudo a mesma coisa (?)

Para identificar se um texto está em chinês, japonês ou coreano você pode se orientar pelas seguintes dicas.
a) Linearidade e traços.
A escrita chinesa tem muito mais traços em cada ideograma do que a escrita japonesa, isso se deve ao fato do idioma japonês possuir silabários, que são símbolos que representam sons de sílabas e, em geral, têm menos traços que os outros ideogramas que traduzem palavras.

Chinês:
我喜歡彎曲的,因為他是一個特殊的孩子對我們所有人。它的存在是必要的,所有的好去處。
Japonês:
彼は私たちのすべてに特別な男の子ですので、私は、曲がったが大好きです。その存在はすべての素敵な場所に必要です。

Traduzimos um mesmo texto para as duas línguas, com o auxílio do Google Tradutor. Perceba a presença de mais ideogramas no texto japonês do que no texto em chinês. Enquanto o japonês expressa algumas noções desmembradas em forma de sílabas (de maneira mais extensa), o chinês condensa tudo em ideogramas complexos e cheio de traços. O chinês serve-se de apenas um alfabeto com cerca de 47 mil caracteres (segundo o dicionário 康熙字典). Já o japonês serve-se além dos caracteres chineses, de dois silabários com um símbolo para cada síliaba possível no idioma. O coreano dispõe também de um silabário, porem, diferentemente do japonês, ele é composto por "pedaços" que definem cada sílaba.

coreano
그는 우리 모두에게 특별한 아이이기 때문에 나는 구부러진 사랑 해요. 그것의 존재는 모든 좋은 장소에 필요합니다.

b) Curvas e círculos.
O coreano, dos três, é o único sistema de escrita que conta com círculos propriamente ditos. Isto facilita muito na identificação. O japonês tem curvas bem servidas, porém nada de grandes círculos (na verdade existe sim um pequeno círculo, parecido com o nosso "grau" ° , que é colocado no canto superior direito de 5 sílabas). Chama atenção no japonês, as formas espiraladas dos hiragana. As curvas do chinês e do coreano são bem mais simples e mais comportadas que as japonesas, não ultrapassando um quarto de volta.

Se você não sabia a diferença entre estas 3 escritas agora você sabe. Não tem como errar mais. Deixo o desafio: qual é a língua do site nº1, nº2 e nº3 ?


17 de outubro de 2009

Pink Floyd, Sapir-Whorf e o Arco-Íris




Existe na lingüística uma famosa frase-feita chamada de hipótese Sapir-Whorf ou "relativismo lingüístico" que diz, basicamente, que o que você entende/enxerga/percebe/pensa do mundo depende de como a sua língua categoriza/divide/entende o mundo. Encontrei um exemplo legal que - pra variar - fala sobre cores:


"Em 1973, o grupo de rock britânico Pink Floyd gravou um dos discos mais célebres da sua longa carreira, intitulado The dark side of the moon. A capa [imagem abaixo] mostrava, contra um fundo negro, um raio de luz branca que vinha do lado esquerdo, atravessava, no centro do quadro, num prisma e saía decomposto, à direita, nas cores do arco-íris. Entre nós, brasileiros, só quem deteve um pouco o olhar se deu conta de que o espectro à direita do prisma compreendia seis cores, em vez das sete que esperaríamos. A razão muito simples para isso é que, em inglês, o arco-íris de fato só conta com seis cores: na região superior do espectro, onde temos em português o roxo e o anilado, a língua inglesa junta tudo em um só purple. Na língua bassa, falada na Libéria, o mesmo conjunto do arco-íris se divide em não mais que duas faixas, uma compreendendo o que conhecemos como cores 'frias' e outra, as cores 'quentes'. Ninguém imaginaria tratar-se de diferenças nos fenômenos naturais observados, nem tampouco na acuidade visual de uns e outros povos. A estruturação do mundo em classes, ou seja, a maneira de ver é que varia, de uma cultura para outra, sem que se possa apontar quem é que está com a razão nesta história."[1]

Pink Floyd - Dark Side of the Moon
Uma loucura, não?


[1] Antonio Pietroforte - Semântica Lexical in FIORIN, J.L. (org.) Introdução à lingüística II: princípios e análise. São Paulo: Contexto, 2003.

Imagens daqui, daqui, daqui e daqui.

23 de abril de 2009

monografas///?

Como fas pra fazer monografia//?
Recebi algumas idéias ótimas que não tem a ver com sintaxe gerativa (o que já é ótimo na minha modesta opinião). Por exemplo: abreviaturas nas cartas de D. Joham III; Pontuação - como ela era usada na época; Estrangeirismos/Empréstimos; Toponímia; Antroponímia; Mexer com lexicologia; Mexer com lingüística textual diacrônica (será possível? Pensar a questão da coesão textual quinhentista), o que seria com a Dona Bentes - o que significa ler litros e litros...
Se eu for fazer mestrado (pra não jogar 4 anos no lixo) teria que ser alguma coisa derivada dessas grandes áreas... Vejamos como se desenrolará esta novela.

Bjosmeliguem