6 de dezembro de 2009

Voz ativa e passiva: uma separação entre homem e mundo.


Lendo a transcendental tese de livre docência do matemático-filósofo-filólogo-letrista-clássico Mário Bruno Sproviero, que traduz e comenta os poemas de Laozi (o "fundador" do Taoísmo) passando por Hegel, Heidegger, Aristóteles etc, encontrei este trecho que desejo compartilhar com todos. O excerto busca as raízes das vozes verbais na história da relação homem x mundo, ou seja, mais um pouco do relativismo lingüístico do último post:
"Schöfer, num interessante livro sobre o pensamento mítico35, apresenta a análise da voz média nos verbos indo-europeus como uma chave interpretativa do pensamento mítico. Em nosso estágio, só temos a voz ativa e passiva sintéticas. Num estágio anterior tínhamos a voz ativa, a média e a passiva. Num estágio ainda anterior só tínhamos a voz ativa e a média. até aqui o material lingüístico permite constatar. Então Schöfer estabelece a hipótese que a forma inicial de expressão seria a voz média. Esta corresponderia ao estágio em que o homem não se distingue do mundo; a ausência da voz média, em nossa época, corresponde ao estágio em que a separação é total. Não temos então, segundo Schöfer, mais a possibilidade de exprimir a relação homem mundo. E o desaparecimento da voz média dá-se entre 500 e 400 a.C., justamente na época axial."

O conceito de "época axial" é de Jaspers34 e abarca o período entre 800 e 200 a.C., quando surge a escrita, a história, o pensamento abstrato adquire expressão e realização técnica. Quando as sociedades se urbanizam e se tornam mais complexas.

Laozi (pt) (en)

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35 WOLFGANG Von SCHÖFER - Was geht uns Nach an?. München/Basel, Ernst Reinhardt Verlag, 1968.
34 C. JASPERS - Vom Ursprung und Ziel der Geschichte. München, RPiper & Co Verlag.

SPROVIERO, M. B. . Laozi e a Reversão do Reino do Homem, 1996 (Tese de Livre-Docência) página 115.

Mais links ainda:
Sobre voz média (es) (fr)
YinYang (en)

17 de outubro de 2009

Pink Floyd, Sapir-Whorf e o Arco-Íris




Existe na lingüística uma famosa frase-feita chamada de hipótese Sapir-Whorf ou "relativismo lingüístico" que diz, basicamente, que o que você entende/enxerga/percebe/pensa do mundo depende de como a sua língua categoriza/divide/entende o mundo. Encontrei um exemplo legal que - pra variar - fala sobre cores:


"Em 1973, o grupo de rock britânico Pink Floyd gravou um dos discos mais célebres da sua longa carreira, intitulado The dark side of the moon. A capa [imagem abaixo] mostrava, contra um fundo negro, um raio de luz branca que vinha do lado esquerdo, atravessava, no centro do quadro, num prisma e saía decomposto, à direita, nas cores do arco-íris. Entre nós, brasileiros, só quem deteve um pouco o olhar se deu conta de que o espectro à direita do prisma compreendia seis cores, em vez das sete que esperaríamos. A razão muito simples para isso é que, em inglês, o arco-íris de fato só conta com seis cores: na região superior do espectro, onde temos em português o roxo e o anilado, a língua inglesa junta tudo em um só purple. Na língua bassa, falada na Libéria, o mesmo conjunto do arco-íris se divide em não mais que duas faixas, uma compreendendo o que conhecemos como cores 'frias' e outra, as cores 'quentes'. Ninguém imaginaria tratar-se de diferenças nos fenômenos naturais observados, nem tampouco na acuidade visual de uns e outros povos. A estruturação do mundo em classes, ou seja, a maneira de ver é que varia, de uma cultura para outra, sem que se possa apontar quem é que está com a razão nesta história."[1]

Pink Floyd - Dark Side of the Moon
Uma loucura, não?


[1] Antonio Pietroforte - Semântica Lexical in FIORIN, J.L. (org.) Introdução à lingüística II: princípios e análise. São Paulo: Contexto, 2003.

Imagens daqui, daqui, daqui e daqui.

Um desenho

























muito bela
Achei esta imagem aqui: http://transfuse.deviantart.com/

15 de setembro de 2009

Ênfase

3 de setembro de 2009

Declaração Pirata
Capitão Bellamy

DANIEL DEFOE, escrevendo sob o pseudônimo de capitão Charles Johnson, escreveu o que se tornou o primeiro texto histórico sobre os piratas, A General History of the Robberies and Murders of the MosNotorious Pirates (Uma História Geral dos Roubos e Assassinatos dos Maist Notórios Piratas). De acordo com Jolly Roger (a bandeira pirata), de Patrick Pringie, o recrutamento de piratas era mais efetivo entre os desempregados, fugitivos e criminosos desterrados. O alto-mar contribuiu para um instantâneo nivelamento das desigualdades de classe. Defoe relata que um pirata chamado capitão Bellamy fez este discurso para o capitão de um navio mercante que ele tomou como refém. O capitão tinha acabado de recusar um convite para se juntar aos piratas: Sinto muito que eles não vão deixar você ter sua chalupa de volta, pois eu desaprovo fazer mesquinharia com qualquer um, quando não é para minha vantagem. Dane-se a chalupa, nós vamos naufragá-la e ela poderia ser de uso para você. Embora você seja um cachorrinho servil, e assim são todos aqueles que se submetem a ser governados por leis que os
homens ricos fazem para sua própria segurança; pois os covardes não têm coragem nem para defender eles mesmos o que conseguiram por vilania; mas danem-se todos vocês: danem-se eles, um monte de patifes astutos e vocês, que os servem, um bando de corações de galinha cabeças ocas. Eles nos difamam, os canalhas, quando há apenas esta diferença: eles roubam os
pobres sob a cobertura da lei, sem dúvida, e nós roubamos os ricos sob a proteção de nossa própria coragem. Não é melhor tornar-se então um de nós, em vez de rastejar atrás desses vilões por emprego? Quando o capitão replicou que a sua consciência não o deixaria romper com as regras de Deus e dos homens, o pirata Bellamy continuou: Você é um patife de consciência diabólica, eu sou um príncipe livre e tenho autoridade suficiente para levantar guerra contra o mundo todo, como quem tem uma centena de navios no mar e um exército de 100 mil homens no campo; e isto a minha consciência me diz: não há conversa com tais cães chorões, que deixam os superiores chutá-los pelo convés a seu bel prazer.


Hakim Bey

30 de agosto de 2009

O Santo Rebelde

Cabei de ver no Canal Brasil o altamente recomendado documentário Dom Hélder Câmara - O Santo Rebelde Direção de Erika Bauer. O filme conta a biografia deste eclesiasta que em sua época era, juntamente com o Pelé, um dos brasileiros mais conhecidos do mundo. Ele foi indicado a 4 Nobel da Paz em 70, 71, 72 e 73. Os três primeiros ele perdeu mesmo, mas o de 73 já tava no papo e ganha um doce quem descobrir porque ele não levou. Abaixo, deixo uma boa "meditação" de autoria do supracitado...

Loucura Sagrada - Dom Helder Câmara
"Sonhei que o Papa enlouquecia
E ele mesmo ateava fogo ao Vaticano
E à Basílica de São Pedro.
Loucura sagrada!
Porque Deus atiçava o fogo que os
Bombeiros, em vão, tentavam extinguir.
O Papa, louco, saia pelas ruas de Roma
Dizendo adeus aos embaixadores
Credenciados junto a ele
Jogando a Tiara ao tibre.
Espalhando pelos pobres, todos,
O dinheiro do banco do Vaticano.
Que vergonha para os cristãos!
Para que um Papa viva o Evangelho
Temos que imaginá-lo em plena loucura"

21 de agosto de 2009

Localismo e Psicanálise

γνῶθι σεαυτόν

Existe uma teoria em lingüística funcional (corrente de estudos lingüística iniciada láaáá atrás por Jakobson [1] [2]) que se chama hipótese localista. Trata-se de dizer que as palavras que falamos eram primordialmente, "no início" referentes de um mundo local, físico- isto é: etiquetas, as palavras serviam para rotular um mundo palpável - e a partir daí passaram para abstrações por uma metáfora que dizia respeito ao tempo, e em seguida metáforas cada vez mais abstratas, sendo o terceiro nível abstracional identificável a "noção". Todas essas idéias vêm de Heine et alii (1991). O exemplo que li, referia-se à preposições. Segundo estes estudiosos funcionalistas, a preposição (super prototípica diga-se de passagem) EM pode ter o sentido de "localização no espaço" como na frase: O livro está na mesa; o sentido de "localização no tempo": Em fevereiro estarei lá; e o sentido "localização abstrata, ou noção": Em verdade vos digo. Para estes estudiosos, há uma relação hierárquica de abstração entre esses três sentidos. Melhor dizendo, começando pelo menos abstrato, há graus de abstração cada vez maiores: Localização física no espaço, depois Localização no tempo e por último uma localização abstrata.
Resumindo, citando Heine et alii (1991): "organizamos o espaço através da língua e (...) por um processo metafórico falamos do tempo com as mesmas categorias do espaço" e "podemos visualizar as coisas no espaço à nossa volta, mas o tempo não".
Se as palavras forem espacialmente motivadas, seria nossa personalidade, psique (me desculpem, eu não entendo nada de psicologia e afins) também fisicamente motivadas? Quero dizer: Será que eu sou desse jeito devido a uma característica física minha, por exemplo ser alto ou baixo, magro ou gordo, etc ?

Imagem retirada daqui

12 de agosto de 2009

Bandeijinho


Dê bandeijinho para seus filhos

11 de agosto de 2009

trecho de um texto escrito por alguém que vive na velhice da humanidade

"(...) me lembro sem precisar fazer tanto esforço assim, de uma coisa a qual chamavam "ponto de ônibus". Ponto é ponto mesmo e ônibus era como se fosse um enorme carro que tivesse muitos lugares para as pessoas sentarem. Pagava-se pra entrar neste carro que passava sempre pelos mesmos lugares (esses lugares eram os pontos).
Era como se você estivesse andando pela rua e de repente, ao dobrar uma esquina, encontrasse, em uma calçada, um aglomerado de pessoas com a mesma expressão no rosto e olhando todos na mesma direção. Assim era o ponto de ônibus.
Incrivelmente, não perdiam a paciência com a fastidiosa espera - ou pelo menos, pareciam manter-se controlados. Ficavam ali, parados, esperando a vida passar junto com o ônibus. "

[UPDATE] vou usar esta tirinha do heneh para ilustrar este trecho

O cachorro Osvaldo

Hoje andava pelas ruas do Cambuí, em Campinas quando um cachorro veio latir em cima de mim. Ele me acompanhou por dois quarteirões latindo insistentemente. Um rapaz interviu: "ele não morde não". Continuei andando, não estava com medo, afinal não se pode ter medo de cães. Mesmo assim fiquei impressionado com essa atitude tão hostil de "Osvaldo". É. O cachorro se chamava Osvaldo! Belo nome. Pareceu-me - assim que soube seu nome através de uma criancinha que acompanhava saltitante o cachorro - pareceu-me então, fazer todo sentido ele ter esse nome. É o nome do meu pai!

10 de julho de 2009

Um começo de filme

Então pensamos aqui na rep um começo de filme de ação. Ou não necessariamente de ação.
O cara acorda vai no banheiro, ao lado da pia tem um 38 do qual ele gira o barril que tem apenas uma bala. Como faz todos dia, ele aponta o revólver para a cabeça e puxa o gatilho, cléck. Sim, apenas cléck.
ao que o personagem olha pro espelho e diz:
O dia hoje vai ser bom

27 de junho de 2009

Iminentia finis conuiuium cotidianum cum socii

Bateu hein...
Não vou nem falar nada, deixo o Tim falar por mim. A playlist é do Tomaz.


gostava tanto de você

tim maia

Composição: Édson Trindade

Não sei porque você se foi
Quantas saudades eu senti
E de tristezas vou viver
E aquele adeus não pude dar...
Você marcou na minha vida
Viveu, morreu
Na minha história
Chego a ter medo do futuro
E da solidão
Que em minha porta bate...
E eu!
Gostava tanto de você
Gostava tanto de você...
Eu corro, fujo desta sombra
Em sonho vejo este passado
E na parede do meu quarto
Ainda está o seu retrato
Não quero ver prá não lembrar
Pensei até em me mudar
Lugar qualquer que não exista
O pensamento em você...
Não sei porque você se foi
Quantas saudades eu senti
E de tristezas vou viver
E aquele adeus não pude dar...
Você marcou em minha vida
Viveu, morreu
Na minha história
Chego a ter medo do futuro
E da solidão
Que em minha porta bate...
E eu!
Gostava tanto de você
Gostava tanto de você...
Eu corro, fujo desta sombra
Em sonho vejo este passado
E na parede do meu quarto
Ainda está o seu retrato
Não quero ver prá não lembrar
Pensei até em me mudar
Lugar qualquer que não exista
O pensamento em você...
E eu!
Gostava tanto de você
Gostava tanto de você...


não quero dinheiro

tim maia

Composição: Tim Maia

Vou pedir prá você voltar
Vou pedir prá você ficar
Eu te amo!
Eu te quero bem...

Vou pedir prá você gostar
Vou pedir prá você me amar
Eu te amo!
Eu te adoro, meu amor!...

A semana inteira
Fiquei esperando
Prá te ver sorrindo
Prá te ver cantando
Quando a gente ama
Não pensa em dinheiro
Só se quer amar
Se quer amar
Se quer amar
De jeito maneira
Não quero dinheiro
Quero amor sincero
Isto é que eu espero
Grito ao mundo inteiro
Não quero dinheiro
Eu só quero amar!...
Te espero para ver
Se você vem
Não te troco nesta vida
Por ninguém
Porque eu te amo!
Eu te quero bem...
Acontece que na vida
A gente tem
Que ser feliz
Por ser amado por alguém
Porque eu te amo
Eu te adoro, meu amor!...



20 de junho de 2009

Projeto de lambe-lambe

Estou a fim de fazer uma série de lambe-lambes/stickers com temática "provocativa" em relação à consciência dos universitários da Unicamp. O primeiro protótipo deste vapor, a seguir:
idéia ruim?

30 de maio de 2009

O Chifre da Julieta

Romeu veio passar o carnaval no Brasil e deixou a Julieta lá na Europa. Aqui, ele conheceu uma mulata sensacional, daquelas que a gente chama de tipicamente nacional. Mas no carnaval ninguém é de ninguém, então, o gringo se empolgou e traçou a morenassa! Escreveu, não leu - Romeu comeu! Julieta nunca soube do chifre que levara, e talvez Romeu não tenha contado sobre seu caso tropicaliente nem pro seu próprio terapeuta, Shakespeare. A literatura mundial nunca soube desta história e os documentos se perderam. O que nos resta hoje em dia desta aventura extra-conjugal do nosso heroi, é este quitute vos ensinarei: O chifre da Julieta, que é mais que uma Receita, é uma PEÇA! Um delicioso docinho com o amargo sabor da traição.
É preciso lembrar que com esta receita cria-se um c
onceito, e não apenas um mero quitute. O Chifre da Julieta tem diversas aplicações também como recheio de sanduíche, espeto de churrasco, foundue, cheesecake, etc... Crie! Invente! Se informe!

E L E N C O :

___Algumas fatias de queijo Fresco ou queijo Branco (conhecido em algumas regiões como queijo Minas);








___brigadeiro. Ou seja:
___1 lata ou caixinha de leite condensado ;
___4 colheres de achocolatado em pó;
___1 colher de margarina;

___1 xáblablau de creme de leite; (essa é a tática, a manha)


MODO DE FAZER:

Para cornear a pobre iludida e apaixonada Julieta é muito simples, a primeira coisa a fazer é um brigadeiro ( que fará o papel da morena) com o leite condensado, o achocolatado, a margarina e o segredinho: o creme de leite
- a manha de colocar creme de leite no brigadeiro é que com este ingrediente a mais o brigadeiro fica menos "pegajoso", menos grudento. Se você for tentar passar brigadeiro normal (sem o creme de leite) em alguma superfície alimentícia não muito firme (um pão de forma, um queijo minas, um bolo) esta see depedaçará ;)
Se você não sabe fazer um brigadeiro, pelo amor de deus hein, já tá na hora de aprender, o que você ficou fazendo até hoje? se informa! misture tudo numa panela e mexa SEMPRE (sempre MESMO) em fogo baixo. Pronto, deixe a morena esfriar.
Feito isso é a vez do queijo fresco (que fará o papel
do Romeu) corte em fatias com o formato que lhe vier na cabeça. Pode inventar, você vai ter tempo até o brigadeiro esfriar...
Depois de tudo muito bem ensaiado, e hora do gran-finale: passe uma camada de brigadeiro em cada fatia de queijo. Coloque os "casais" em uma travessa e sirva!
Experimente também o chifre da Julieta como recheio de pão, variando nos atores. Por exemplo requeijão interpreta muito bem o papel de Romeu e a Nutella® manda bem na interpretação da Morena!

"É isso aí. A vida é diversão. Divirtam-se"


"Mais há o que dizer, mas iſto baſta."
Evandro Torto

Também publiquei esta receita no site do meu mestre Paulo Tiefenthaler (Larica Total) no qual me inspirei fortemente para a elaboração da mesma.

15 de maio de 2009

Viagens que só farei pela internet nº0 ou Refletindo sobre a internet de ontem e de hoje

Copiando do André a idéia já bastante difundida de postar devaneios (afinal o que é um blog senão uma coleção de devaneios publicados?) resolvi escrever um post sobre minhas "Viagens que só farei pela internet". Mas primeiramente, vejamos um conceito básico para o entendimento deste post.



a velha moda de abarrotar a página com gifs animados
"Agora você já pode viajar pelo computador"




Me lembro que em meados dos anos 90, quando eu era uma tenra criança e a internet* era ainda um tenro bebê recém-nascido, havia um comercial de televisão de não-sei-qual-produto que argumentava que "agora, você já pode viajar pelo computador" e o personagem do comercial acessava a internet e mostrava fotografias de praias montanhas e aquilo era muito misterioso e sensacional para todos.
Nesta época eu sentia que a mídia em geral (inclusive nos jornais e nas novelas) estava vendendo a idéia de que isso era possível e então muitos mitos e expectativas quanto a internet começaram a surgir (Para ter uma idéia mais ou menos de como é isso que eu estou falando imagine um jornal de televisão hoje em dia falando sobre twitter, ou uma reportagem há uns cinco anos atrás falando sobre orkut). Por exemplo, na época, falava-se em pessoas que se casaram pela internet, avisava-se sobre os perigos de marcar um encontro com alguém que se conheceu pela net, temia-se o bug do milênio, etc... Era um tempo em que nem se imaginava o fenômeno comunicativo que dispomos hoje (blogs como reinvenção e descentralização do jornalismo, orkut e afins pra juntar pessoas de interesses comuns e achar antigos amigos antes dados como perdidos no tempo, as mensagens instantâneas que fazem os profissionais em letras repensar a questão do letramento e os lingüistas repensarem a questão da escrita como representação da fala, os nossos e-mails de + de 1GB de capacidade e os grupos de e-mail que vieram depois, a wikipédia e todos seus afiliados projetos wiki-colaborativos em que se contrói um grande projeto em conjunto com uma porrada de gente ajudando, o Youtube, o Google Earth, etc... UFA!), quando ingenuamente pensavam que ver fotinho de praia era "viajar" através do computador!
Procurei algum vídeo da época (+/- 1996) que sustentasse minha argumentação - não encontrei. Porém, para minha surpresa, achei um vídeo de um comercial atual que demonstra que essa idéia existe até hoje:




No próximo post, então, faremos uma viagem, só pela internet, já que é de graça mesmo né?
"Mais há o que dizer, mas iſto baſta."
Evandro Torto

*internet, como todos sabem nasceu na década de 60. Me refiro à exploração comercial e pessoal da internet no contexto do Brasil, quando da criação de 'grandes' provedores como UOL, Terra, desconsiderando tudo que veio antes, como BBS etc... Alguém lembra do Mandic? E do UOL? Cadê? Deliciem-se com esse site: http://www.archive.org/

4 de maio de 2009

Aleatoriedade pensamêntica e mais um capítulo da novela monográfica

Hoje acordei com uma palavra na cabeça (isso é muito estranho, diga-se de passagem):
CREVASSE
Daí fui na wikipédia ver o que era. Crevasse é uma fenda de vááários metros de profundidade (tipo um abismo) no gelo/neve de uma alta montanha. Se estiver aberta, não é perigoso porque dá pra ver, agora se estiver com a boca coberta de neve e você pisar, meu caro amigo alpinista, você se fudeu...
Agora porque será q eu estava pensando nisso logo ao acordar? Que simbolismo pode ter isso? Será que é um símbolo de uma genitália feminina (uma fenda? - uahuha)???


Mudando de assunto:
Minha orientadora me botou na parede pra eu escolher um tema logo. Decidi pesquisar a regência dos verbos do português quinhentista. Pode ser legal, veremos.

3 de maio de 2009

sobre criatividade

quem tem e faz bom uso - impressiona
quem tem e não faz bom uso - decepciona
quem não tem e queria ter - admira
quem não tem e não queria ter - se contenta com pouco

eu sou do 3º tipo

30 de abril de 2009

Memórias amnésicas de uma micro-espeleologia gástrica recursiva ou Garganta profunda

- Oi tudo bem?
- Tudo bem, pode deitar aí nesta maca.
- O que tem nessa injeção aí?
- Dormitol, anota aí porque esse é bem calmante.
- Esse cano aí entra inteiro?
- Até o talo mas acho que vamos ter que buscar uma extensão pra você. Vira de lado e coloca isso aqui na boca, por favor.
Algumas mãos sobrevoam meu campo de visão e alguém deve ter tropeçado na minha tomada...


35 minutos depois, senti a sensação mais desesperadora da minha vida, algo que contando assim pode parecer trivial, mas não foi: por alguns segundos, eu não sabia onde estava nem O QUE eu era!
Só me lembro de alguns flashes conclusivos como:
"ah, eu devo estar no hospital" e "como eu vim parar nesta cadeira!?"
Depois do boot, me vi sentado numa cadeira ao lado de um velho senhor que estava no mesmo barco que eu. Trocamos algumas palavras que, por mais que eu tente, não consigo me lembrar (só me lembro da cara de espanto da enfermeira). Foi então que eu tomei o chá com bolachas mais delicioso da minha vida ;)

De repente estou dentro do carro comendo um salgado (e já estou na metade dele), e eu estou até agora acreditando que alguém me deu um control-x control-v.

Em casa depois do almoço, já se recuperando, comecei a sentir umas partes do corpo que até então nunca tinha sentido. Será isso que eles chamam no yoga de "consciência corporal"?

23 de abril de 2009

monografas///?

Como fas pra fazer monografia//?
Recebi algumas idéias ótimas que não tem a ver com sintaxe gerativa (o que já é ótimo na minha modesta opinião). Por exemplo: abreviaturas nas cartas de D. Joham III; Pontuação - como ela era usada na época; Estrangeirismos/Empréstimos; Toponímia; Antroponímia; Mexer com lexicologia; Mexer com lingüística textual diacrônica (será possível? Pensar a questão da coesão textual quinhentista), o que seria com a Dona Bentes - o que significa ler litros e litros...
Se eu for fazer mestrado (pra não jogar 4 anos no lixo) teria que ser alguma coisa derivada dessas grandes áreas... Vejamos como se desenrolará esta novela.

Bjosmeliguem

7 de março de 2009

Matrícula fora de prazo

Quem em sã consciência ESQUECE DE SE MATRICULAR NA MONOGRAFIA?

agora corre atrás da DAC pra fazer matrícula fora de prazo. Eu só não sei qual justificativa eu vou dar!
Só rindo mesmo.