Castel Coch:
Caerphilly:
Voltando pra Cardiff:
o que passa e o que fica
I mean, what do you do professionally? Disse o brasileiro ao gordo e velho galês bonachão que chegou ouvindo um K7 e tomando um pint de Guiness on blacks.
Isso foi outro dia mas o que vai volta, it's the circle of life.
Clive road 29 upstairs: despedida do croata. Não tá fácil pra ninguém, o cara ficou um mês procurando emprego na área de ciclismo e nada. Nem um email de resposta. Acabou a grana uma semana antes e viveu de pão com manteiga de amendoim. Sorte que o garçon francês o ajudou. O garçon espanhol e a garçonete ceramista inglesa também apareceram no flat. O vizinho asiático cabeludo não curtiu o barulho. Ele também não tinha saca-rolhas. Nem o pub tinha (como assim? ). Os gregos e o inglês não sabiam que Ulanbaator é a capital da onde mesmo?
Queen Street, último gole. de Coca Cola no burger King.
Galesa e não gaulesa, atenção para os detalhes.
O caminho pra Saint Fagans começa por acordar cedo engolir dois enroladinhos de pizza do Tesco COM MANTEIGA, consertar o alinhamento da Hércules e adentrar o bairro moslime do riverside pro oeste. Dividindo a faixa de rodagem com o bws e outros autos, logo se chega ao pacato parque woudron, junto à estação de trem de mesmo nome. Cruzando os subúrbios de Cardiff pra chegar nas margens do Ely, riozinho limpo outrora sujo residência de leprechauns e de outros elementais.
O museu da vida galesa, mais conhecido como Saint Fagans, é como um parque temático onde os caras simplesmente reuniram inúmeras construções históricas de todo o país e de várias épocas num sitião à beira de um puta casarão aristocrático.
http://youtu.be/JvVn4k7D5x8
Domingo 23/11
Hoje estive em Bristol. Sai cedo de Cardiff pra pegar o trem. Nas telas da estação não havia nenhuma indicação de qual trem ou qual plataforma pegar, apenas uma indicação na parede dizendo q normalmente os trens pra lá saem da primeira plataforma. No final das contas era pra pegar o trem pra Londres e trocar em Newport. Chegando em Newport mais confusão, a indicação do funcionário da estação era pra subir a escada e virar a direita mas isso me levou para fora. Era isso mesmo. A viagem deveria continuar de ônibus.
Ao cruzar a ponte vejo a placa welcome to England, com o equivalente em galês pois quem vem desta direção vem do país de gales. A primeira parada é em parkway e só depois em Temple meads, que é a estação central de Bristol. Entre as duas estações jovens que voltavam da noitada pós rugby tagarelavam sem parar.
Cheguei #chateado porque não queria andar de ônibus, né. Mas tudo bem.
Na estação paguei £2,50 num mini mapa da cidade que acabei nem usando porque haviam muitas placas pela cidade indicando a direção das coisas interessantes. Algumas delas tinham até um mapa de arredores que foram muito práticos. Caminhei até a queen square onde uma colombiana solicitou ajuda para uma foto. Depois paguei 70p num café horrível perto do rio Avon e então atravessei uma ponte com duas trombetas do apocalipse até a millenium square. Ali perto havia uma interessante bomba de encher pneu de bicicleta que fazia parte do mobiliário urbano. Dali já se podia avistar a catedral, entretanto fui até o watershed que é tipo uma galeria com lojas e barracas ao longo de um canal. Dali subi para a catedral onde pude presenciar o ensaio do rapaz que toca o órgão e passear pelo jardim-cemitério.
http://youtu.be/j5T8XD2MI8s
Em frente à catedral havia uma árvore com inúmeros pares de sapatos pendurados, ainda não estavam maduros. Então passei prefeitura que exibia em placas de metal na calçada os brasões das cidades irmãs de Bristol.
Subi pela Park Street até o Brandon hill, onde pode-se subir gratuitamente na torre Cabot que foi erguida em comemoração à algum aniversário da navegação(descoberta) até a América do Norte. O tal do Cabot saiu de Bristol e chegou até Nova Scotia em 1497 se não estou enganado.
A escadaria da torre é bem apertada mas onde passa boi, passa boiada.
Descendo pelo parque de encontro com alguns esquilos cheguei à torre da universidade de Bristol Wills Memorial building não sem antes entrar em várias lojas de materiais artísticos (caríssimos, só pra olhar mesmo).
Fui descendo pela Old City até topar com a Saint Peter Church, que não está inteira pois foi bombardeada na blitz. Entrei num shopping pra fugir do frio e tentar encontrar algo barato pra comer e acabei comendo um sausage roll e um pastry tradicional da cidade. Tudo por £2,15. Então saí do the galleries e topei com uma feira de natal repleta de guloseimas e presentes na rua broadmead. Como em Cardiff também tinha um quiosque de bratwurst, mas tinha também um german bar com cervejas da Bavaria e chocolate quente. Mandei ver no chocolate quente e na bratwurst (£7 a brincadeira).
Cansado de subir e descer e sem mais nada de interessante no mapa tomei o rumo da estação caminhando pelo canal floating harbour enquanto o sol se punha às 16h30. Ao longo do canal observei embarcações ancoradas que pelo jeitão da coisa parecem ser morada de seres humanos, com vasos e placas solares.
E pra voltar foi a mesma odisséia, com direito a ficar em pé no trem de Newport até Cardiff. Ê Brasil!
Eu, índio Guaicaipuro Cautémoc, descendente dos que povoaram a américa há 40 mil anos, vim aqui encontrar os que nos encontraram há apenas 500 anos.
O irmão advogado europeu me explica que aqui toda dívida deve ser paga, ainda que para isso se tenha que vender seres humanos ou países inteiros.
Pois bem! Eu também tenho dívidas a cobrar. Consta no arquivo das índias ocidentais que entre os anos de 1503 e 1660, chegaram à europa 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata vindos da minha terra!... Teria sido um saque? Não acredito. Seria pensar que os irmãos cristãos faltaram a seu sétimo mandamento.
Genocídio?... Não. Eu jamais pensaria que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue de seu irmão.
Espoliação?... Seria o mesmo que dizer que o capitalismo deslanchou graças à inundação da Europa pelos metais preciosos arrancados de minha terra!
Vamos considerar que esse ouro e essa prata foram o primeiro de muitos empréstimos amigáveis que fizemos à Europa. Achar que não foi isso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que me daria o direito de exigir a devolução dos metais e a cobrar indenização por danos e perdas.
Prefiro crer que nós, índios, fizemos um empréstimo a vocês, europeus.
Ao comemorar o quinto centenário desse empréstimo, nos perguntamos se vocês usaram racional e responsavelmente os fundos que lhes adiantamos.
Lamentamos dizer que não.
Vocês delapidaram esse dinheiro em armadas invencíveis, terceiros Reichs e outras formas de extermínio mútuo e acabaram ocupados pelas tropas da OTAN.
Vocês foram incapazes de acabar com o capital e deixar de depender das matérias primas e da energia barata que arrancam do terceiro mundo.
Esse quadro deplorável corrobora a afirmação de Milton Friedmann, segundo o qual uma economia não pode depender de subsídios.
Por isso, meus senhores da Europa, eu, Guaicaipuro Cautémoc, me sinto obrigado a cobrar o empréstimo que tão generosamente lhes concedemos há 500 anos. E os juros, e para seu próprio bem.
Não, não vamos cobrar de vocês as taxas de 20 a 30 por cento de juros que vocês impõem ao terceiro mundo.
Queremos apenas a devolução dos metais preciosos, mais 10 por cento sobre 500 anos.
Lamento dizer, mas a dívida européia para conosco, índios, pesa mais que o planeta Terra!... E vejam que calculamos isso em ouro e prata. Não consideramos o sangue derramado de nossos ancestrais!
Sei que vocês não têm esse dinheiro, porque não souberam gerar riquezas com nosso generoso empréstimo.
Mas há sempre uma saída: entreguem-nos a europa inteira, como primeira prestação de sua dívida histórica.
Sobre o autor:
Guaicaipuro Cautémoc é um líder indígena mexicano que ficou famoso com esse discurso durante uma reunião dos chefes de Estado da União Européia.
Chupado daqui via @lodolla
DANTE PEIXOTO, JOANA SALÉM e PAULO TAUYR
Até quando teremos esse descaso com as políticas de permanência estudantil? Até quando o diálogo será apenas um discurso? |
